RITUAL OU ROTINA - CHAMEM-LHE O QUE QUISEREM
O meu corpo abate-se sobre o corredor escuro,
fazendo estremecer a cornucópia de cores
que jaz na retina do surpreendente.
Com o impacto, os pensamentos espalham-se pelo chão:
Disforme é a companheira que me espera;
Efémera é a minha paz;
Longos são os sonhos que idealizam o futuro;
Pouco é o tempo que consume a mente
e que desgasta o corpo
ainda dormente.
Com um discurso sincopado,
regurgito a dor das más memórias,
rastejando em cada quarto
à procura de uma cama para me deitar.
Não é fácil,
não sou ágil,
e a cara com que me deito
não me deixa respirar.
Sufocado pelo delírio,
esvaio-me nos últimos pensamentos:
A lâmina que sangra o pescoço;
As calças que fedem;
Basta!
Esta métrica
é patética.
Agora, quero que tudo descambe.
Bruno Porta Nova



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